<Voltar
 
Entrevista com o médico homeopata Fábio de Almeida Bolognani
'

HOMEOPATIA: MÉTODO TERAPÊUTICO OPCIONAL E DE BAIXO CUSTO

Fábio de Almeida Bolognani, médico homeopata e coordenador do ambulatório do Instituto Hahnemanniano do Brasil (Uni-Rio), em entrevista ao Jornal da ACADIM, disse que a homeopatia é um método terapêutico opcional ou complementar a qualquer outro tipo de tratamento. Afirmou que uma das vantagens do tratamento homeopático é a de se usar doses com extrema margem de segurança no que diz respeito à capacidade tóxica de uma substância. Disse, ainda, que a homeopatia tem demonstrado certas vantagens econômicas no tratamento de doenças crônicas, devido ao baixo custo dos medicamentos e a ausência de efeitos nocivos que possam induzir outros tratamentos para compensar os danos do tratamento original.

ACADIM: Qual o significado do termo homeopatia?

Fábio Bolognani: O termo homeopatia foi citado pela primeira vez através das hipóteses lançadas por Hipócrates (pai da Medicina), quando fez referências às possibilidades de efetuar um processo curativo, através das Leis de Cura: Contraria contrarius curentur !alopatia) e Similia similibus curentur (homeopatia). O termo Homeo: semelhante + pathos, patologia, ou seja Cura pelas Leis dos Semelhantes, enquanto a Alo: contrária , a cura pela Lei dos Contrários.

A Lei dos Semelhantes foi estabelecida por Samuel Hahnemann a partir de 1796 e através de suas experiências pela experimentação medicamentosa no homem pode estabelecer os princípios básicos de utilização deste método terapêutico.

• A homeopatia é um método de cura ou um sistema médico-terapêutico?

FB: A homeopatia é um método terapêutico opcional ou complementar a qualquer outro método de tratamento. As bases para prescrição dos medicamentos homeopáticos são do conhecimento diagnóstico patológico sindrômico, somados aos critérios somados aos critérios de observação de susceptibilidade individuais durante o curso da patologia, levando em conta suas reações com o meio ambiente físico-ambiental, psíquico, sócio-familiar e climático.
Os conceitos médicos são os mesmos, e toda prescrição deve ser precedida de diagnóstico clínico-laboratorial e prognóstico, a homeopatia é uma opção que se soma aos outros recursos terapêuticos, seja alopatia, vacinas, cirurgia, psicanálise, fisioterapia, acupuntura etc.

• É sabido que os seres humanos muito raramente se ajustam a padrões nítidos e simples. De que forma então, a homeopatia pode ser aplicada nos casos complexos que envolvem vários fatores interferentes?

FB: A homeopatia justamente se aplica às múltiplas condições que podem interferir na condição de saúde do indivíduo, agindo como catalisadora dos potenciais relativos do ser e, desta forma, restabelecendo sua capacidade funcional orgânica, através de um estímulo que respeita sua reatividade psicossomática.

• Na alopatia, se uma substância for administrada em doses tóxicas ou venenosas, virtualmente todo organismo reagirá. Na homeopatia poderá ocorrer o mesmo se a substância for administrada em doses elevadas e/ou incorretas, levando-se em conta a individualidade de cada paciente?

FB: Uma das grandes vantagens do tratamento homeopático é a de se usar doses com extrema margem de segurança, no que diz respeito à capacidade tóxica de uma substância. Com raras exceções, as doses ou substâncias utilizadas nos critérios básicos da homeopatia não reproduzem riscos a curto, médio ou longo prazos na saúde dos indivíduos. A função terapêutica de um medicamento homeopático obedece uma sintonia de ritmo metabólico, e caso não haja respaldo orgânico, o medicamento não induzirá a qualquer tipo de reação orgânica.

• Na homeopatia, os testes de drogas em seres humanos, são realizados com base nos mesmos princípios da alopatia?

FB: Em parte. No caso da homeopatia, os conhecimentos são baseados em experimentação medicamentosa no ser humano em doses aquém de sua potencialidade tóxica, pois o que se busca são as suas características específicas de susceptibilidade do indivíduo à substância. Também, os conhecimentos provindos do uso popular e terapêutico oficial, são acrescido à farmacopéia homeopática, incluindo ainda as propriedades toxicológicas das substâncias.

• A qualidade dos medicamentos homeopático é assegurada de acordo com os padrões farmacológicos universais?

FB: Sim, os medicamentos seguem padrões referendados pela farmacopéia homeopática aprovada pela vigilância sanitária, que são universais.

• É ético administrar substâncias potencialmente tóxicas em indivíduos saudáveis?

FB: Depende do objetivo terapêutico a ser atingido. Vejam o caso dos tratamentos oncológicos ao qual as substâncias são de extremo risco e toxicidade para os pacientes, mas os resultados podem proporcionar a estes mesmos pacientes mais qualidade e longevidade, apesar dos incômodos. No caso da homeopatia, alguns medicamentos são produzidos a partir de substâncias tóxicas, mas quando estabelecidas como medicamento homeopático não representam qualquer risco, pois não existem proporções farmacológicas tóxicas.

• A relação custo-benefício do tratamento homeopático é lucrativa e eficiente.

FB: A homeopatia tem demonstrado certas vantagens econômicas no tratamento de doenças crônicas, devido ao baixo custo medicamentoso e a ausência de efeitos nocivos que possam induzir outros tratamentos para compensar os danos do tratamento original.

No caso de patologias crônicas e as possíveis agudizações destas, o método homeopático além de ser rápido em seus efeitos, beneficia os pacientes em seu ritmo econômico e sócio-familiar, pois o menor tempo de sofrimento pela patologia o faz retomar com mais integridade suas funções.

• É sabido que a indústria farmacêutica alopática representa hoje uma das maiores do mundo. Em que patamar se posiciona a indústria homeopática.

FB: Não temos condições de posicionar os dados nacionais mas existe, há alguns anos, um perfil das empresas francesas da área farmacêutica, com o maior laboratório do mundo de homeopatia, que ocupava a décima posição no ranking daquele país.

A homeopatia se caracteriza por fabricação personalizada, e seu crescimento e expansão são atributos principalmente das farmácias de bairro, pois a maior parte das prescrições são específicas a cada paciente.

• Os fracassos da moderna medicina alopática face à doença crônica, podem abrir as portas para o avanço da homeopatia, ocupando espaço e mais aceitação por parte da sociedade?

FB: Sim. Mas o grande dever dos homeopatas é comprovar através de linguagem científica que preserve a s nuanças específicas e características do método, pois é necessário que haja uma segurança estatística para os usuários e profissionais que estejam envolvidos com a homeopatia.

Por exemplo, o trabalho que venho realizando com pacientes portadores de miopatia há mais de dez anos, ganhou adeptos de outras áreas da medicina pelos resultados obtidos a nível de maior e melhor qualidade de vida, mas a necessidade de qualificar e quantificar os resultados são imperiosas, tanto para o meio médico como para os pacientes. Por isso, há quatro anos estamos desenvolvendo um protocolo de atuação mais específico que permitiu uma aproximação maior com o meio universitário, sensibilizado pelos contrastes no curso da patologia. Acredito que este será o caminho para ser trilhado pelos profissionais da homeopatia, para confirmar as vantagens deste método para os casos de patologias crônicas, principalmente no contexto de que nossa preocupação é o bem-estar do paciente, e o médico deve se servir da ciência para exercer a medicina e não ser um escravo de um método científico. Se houvesse um método perfeito e totalizador, não haveria então espaço para outros. O médico não pode perder o seu dom e perseverança para atingir o bem-estar do paciente, e deve se utilizar dos conhecimentos possíveis, no conjunto de propriedades que possam ajudar o paciente a recuperar ou conviver melhor com a patologia que vem apresentar.

Nota: Publicado no Jornal da Acadim em junho/2000 – Ano II, Nº 7