Nutrição e Distrofias Musculares

Uma das solicitações mais freqüentes ao site é por informações sobre nutrição. O que devemos oferecer como alimentação? Há alguma recomendação especial a ser seguida? Os estudos que mostram como o músculo é lesado na distrofia podem oferecer informações que no futuro justifiquem modificação da dieta. Algumas proteínas, vitaminas e suplementos alimentares estão sendo testados e no futuro modificações na dieta poderão ser necessárias. No momento, o que se recomenda é uma dieta adequada à idade do paciente. Como a Distrofia Muscular de Duchenne atinge crianças em fase de crescimento a dieta deve ser compatível aos garotos nesta faixa etária. No entanto os estudos têm revelado um aumento da incidência de obesidade nestas crianças (em cerca de 54% dos casos). A obesidade prejudica a força muscular, diminui a mobilidade, prejudica a coluna e reduz a capacidade respiratória. Nesta situação é recomendada a restrição da ingestão de calorias (especialmente doces e massas); muitos médicos têm receio que a restrição alimentar possa prejudicar a função muscular o que já se provou não ocorrer. Os pais também relutam em reduzir as guloseimas, muitas vezes administradas como forma de compensação. Chocolates, balas e sorvetes não são proibidos mas não devem ser ingeridos diária e constantemente.

A combinação entre imobilidade e fraqueza muscular pode predispor a obstipação (constipação) intestinal. Dieta com maior conteúdo de água e fibras pode ser recomendada. Frutas e vegetais são ricos em fibras e são indicados para uma boa nutrição.

Crianças em tratamento com corticóides precisam receber maior restrição em calorias e eventualmente restrição da ingesta de sal (os corticóides aumentam o apetite, causam deposição aumentada de gorduras e retenção de sal).

A osteoporose tem sido observada bem precocemente nos portadores de Duchenne, mesmo naqueles que deambulam. Dieta rica em cálcio também deve ser observada.

Pacientes que apresentam problemas cardíacos também devem receber dieta pobre em sal.

Com a evolução da doença muitos estudos têm observado redução de peso e uma grande incidência de desnutrição. Perda de massa muscular tem sido observado com prejuízo da função muscular especialmente respiratória. A necessidade energética em portadores de falência respiratória é aumentada. Neste caso a dieta deve ser reforçada com maior ingestão de proteínas.

Em pacientes utilizando ventilação não invasiva os cuidados com nutrição devem ser redobrados. Uma dieta rica em carboidratos leva a aumento da pressão parcial de gás carbônico no sangue por excesso de produção, dificultando o controle do aparelho de respiração. Neste caso é muito importante avaliar as necessidades calóricas e orientar a dieta que atenda a todos os problemas que o paciente apresente (um profissional da área é imprescindível).

David Feder  - Médico e  professor da Faculdade de Medicina do ABC.
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esponsável pelo site: http://www.distrofiamuscular.net